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Lendo Euclides por Beppo Levi 2013/09/03

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A matemática e a geometria sob um olhar renovador.

Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro – 2008
(um selo da editora record ltda)

Tradução do espanhol (Leyendo a Euclides)

Ao publicar sua monumental obra Elementos, Euclides de Alexandria (360 a.C. a 295 a.C.), criador da geometria euclidiana, tornou-se o mais importante matemático da Antiguidade greco-romana e talvez de todos os tempos.

A obra abrange toda a aritmética, a álgebra e a geometria conhecidas até então no mundo grego, sistematiza o conhecimento geométrico dos antigos e intercala os teoremas já conhecidos com a demonstração de muitos outros, que completam lacunas e dão coerência e encadeamento lógico ao sistema que ele criou.

Em Elementos, Euclides introduziu o formato (ou método) axiomático, que é, em grande medida, o paradigma do modo de operar da razão matemática. Seus axiomas cristalizaram uma estética quase imperativa para essa razão: a estética do equilíbrio delicado entre simplicidade e alcance, entre o mínimo de pressupostos e o máximo de consequências deriváveis. A genialidade do modelo euclidiano reside em que a partir de noções elementares como ponto, reta, círculo e juntamente com apenas cinco axiomas, é possível desenvolver análises que abrangem toda a geometria clássica.

Beppo Levi escreveu “Lendo Euclides” em 1947, e já nesta época era reconhecido na comunidade científica como alguém que formulou as bases do ensino claro e do respeito pela investigação científica, na qual deve prevalecer o rigor lógico. Seu objetivo era atrair a atenção dos leitores não matemáticos para o estudo dos conceitos fundamentais da geometria e da filosofia por meio da reflexão e da análise cuidadosa de Elementos. Neste livro não é o matemático profissional quem escreve, mas o estudioso que transmite sua paixão pela matemática, pela história e pela filosofia. Ao fazer essa leitura e vem a tona a reflexão de um diálogo que atravessa mais de vinte e dois séculos e permite aprender Euclides com olhos modernos. Os leitores terão a oportunidade de reaprender a geometria pelas mãos de um célebre matemático.

Beppo Levi nasceu em Turim, na Itália, em 1875. Doutorou-se em 1896, com apenas 21 anos e a partir de 1906 foi professor nas universidades de Cagliari, Parma e Bolonha. em 1938, devido à perseguição anti-semita do regime fascista de Mussolini, teve de emigrar com sua família. estabeleceu-se na cidade de Rosario, na Argentina, onde viveu até sua morte em 1961. Lá fundou o Departamento de Matemática da Universidad Nacional del Litoral – que hoje leva seu nome – e influenciou na formação de grandes cientistas argentinos.

Euclides dois mil anos depois

Entre diversas coisas, conjecturou e demonstrou que existem infinitos números primos (indivisíveis). Ganhou a vida dando aulas de matemática a curiosos, desejosos de aprender para saber, não para fazer. Conta a tradição que quando um aluno novato lhe perguntou que proveito material poderia obter com o estudo da matemática, Euclides teria chamado seu escravo e lhe teria dito: “Dê uma moeda de ouro a esse infeliz, já que ele pensa que deve ganhar para aprender”.

É muito possível que Euclides tenha estado conectado com o Museu de Alexandria, visto que nesse instituto estatal de investigações científicas e humanísticas se havia congregado a flor e a nata da intelectualidade da época. Os pesquisadores do Museu recebiam salários do tesouro real para produzir conhecimentos que raras vezes tinham aplicação prática. Só formavam e proviam cérebros curiosos e engenhosos, a começar pelos próprios. Quantos estadistas do nosso século entendem que o conhecimento básico é o mais útil, por ser utilizável em múltiplos campos?

A principal obra de Euclides, intitulada Elementos, é o livro antigo mais estudado da História. Reúne e sistematiza os conhecimentos geométricos de seu Tempo. Por isso já se disse que Euclides não foi original: apenas compilou invenções alheias. Os que repetem essa tese desconhecem que Euclides construiu a primeira teoria propriamente dita registrada pela História, o sistema Hipotético-Dedutivo. Antes dele, a matemática era um amontoado de resultados soltos; a partir dele, foi se convertendo em um conjunto de sistemas relacionados entre si.

Euclides introduziu explicitamente o formato (também chamado método) axiomático, que consiste em começar listando os conceitos básicos e os postulados – ou seja, ideias não deriváveis de outras ideias no mesmo sistema – e derivar (definir ou deduzir) os demais a partir deles.

A axiomática serve de parâmetro para a organização racional e econômica de qualquer corpo de conhecimentos, sejam matemáticos, físicos, econômicos, filosóficos ou outros. Spinoza, por exemplo, a utilizou em sua grande obra “Ética”. Hoje, os filósofos a empregam para esclarecer, sistematizar e provar ideias em qualquer ramo da filosofia.

David Hilbert, no final do século XIX, exaltou e advertiu para as virtudes da axiomática. Utilizou-a em matemática e em física, e a tornou seu cânone (Hilbert, 1918). Entre estas virtudes figuram as seguintes:

– economia
– aceleração da dedução
– facilitação do exame de coerência lógica
– esclarecimento de suposições
– individualização dos conceitos básicos ou primitivos (definidores) e busca de fundamentos cada vez mais profundos.

Essas virtudes tornam quase plausível a anedota segundo a qual Blaise Pascal, aos 14 anos, teria reconstruído por sua própria conta a maior parte da geometria euclidiana a partir de seus postulados.

No entanto, o método axiomático pode enganar, ao sugerir que basta um sistema de axiomas para deduzir todos os teoremas em um campo definido. De fato, salvo nos casos das consequências imediatas (corolários), é preciso agregar suposições, tais como construções, exemplos ou lemas (proposições tomadas de campos fronteiriços). Por exemplo para provar que a soma dos ângulos internos de um triângulo é igual a dois ângulos retos, convém começar traçando uma reta paralela a um dos lados. Outros teoremas euclidianos requerem outras construções (ad hoc) mais ou menos engenhosas. Talvez por esse motivo Einstein, já famoso e sempre muito ocupado, tenha se dado ao trabalho de escrever uma carta ao psicólogo Wertheimer expondo duas provas diferentes do teorema geométrico do antigo Menelau. [minha anotação: também Einstein trabalhando por muitos anos no escritório de patentes na Suiça, deve ter visto, lido, analisado centenas de tratados, teoremas, ideias, roteiros, etc].

Isso, junto com sua sistemática e seu rigor lógico, faz com que o estudo da geometria euclidiana seja possivelmente mais formativo do que o da geometria analítica ou o do cálculo infinitesimal. Essas teorias possuem algoritmos (regras) que podem se aplicar uniformemente e, em muitos casos, mecanicamente. Esse, além da inércia secular, é um dos motivos que os Elementos se tornou um dos livros mais difundidos em todo mundo durante dois milênios. Seu estudo exige tanto engenho e empenho quanto rigor. Forma tanto matemáticos quanto advogados.

A lógica da geometria de Euclides, em particular sua sistemática e coerência, continua suscitando admiração. Não causa surpresa que um matemático moderno como Beppo Levi lhe tenha dedicado um estudo profundo ainda que sem a carga erudita habitual. Nem é de se estranhar, também, que este livro do matemático ítalo-argentino desperte a curiosidade de leitores contemporâneos.

Beppo Levi (1875-1961) foi um matemático tão versátil como distinto. Mesmo tendo trabalhado principalmente com geometria algébrica, fez importantes incursões em outros campos, tais como a análise matemática, a teoria dos números, a teoria dos conjuntos, a lógica e a dialética da matemática. Semelhante universalidade é inconcebível hoje em dia, em parte porque se sabe muitíssimo mais, em parte porque se superestimam a especialização, sem reparar que as fronteiras entre as disciplinas são, em grande medida, artificiais.

Afirma-se que, entre 1897 e 1909, Levi participou ativamente em todos os novos desenvolvimentos da matemática da época (Schappacher e Schoof, 1996). Seu nome aparece associado, direta ou indiretamente, aos nomes de quase todos os grandes matemáticos de seu tempo, entre outros, Hilbert, Lebesgue e Poincaré. Além disso suas contribuições pertencem à pré-história de vários ramos da matemática que emergiram depois de Levi.

Entre outras coisas, Levi talvez tenha sido o primeiro a formular explicitamente e a criticar o axioma da escolha, usualmente atribuído a Zermelo (Moore, 1982). Descobriu que estava sendo utilizado tacitamente em muitas demonstrações matemáticas (tal axioma continua sendo motivo de estudos). Mas Levi é bem mais conhecido pelo lema que leva seu nome, e que se refere a integrais de sucessões monótonas de funções. Também é conhecido por seu estudo, mais importante, de singularidades de superfícies algébricas.

Ironicamente, esse grande homem tem sido considerado o matemático mais baixinho do século. Era corcunda, tinha uma voz estridente e era casado com uma mulher linda, com quem teve três filhos, entre eles Laura, a física da família. Embora Levi não tenha passado no exame de pureza racial, viveu muito mais anos, comportou-se muitíssimo melhor, concebeu e criou mais filhos e mais ideias que seu perseguidor.

A legislação anti-semita promulgada pelo governo fascista italiano em 1938 privou Levi de sua cátedra em Bolonha e o obrigou a emigrar junto com a família. Aos 64 anos de idade, recomeçou a vida: veio parar no ramo de Rosario da Universidade Nacional do Litoral. Isso se deveu à gestão de seu ilustrado reitor, o engenheiro Cortés Plá, e do matemático Julio Rey pastor, grande incentivador da ciência na Argentina e na Espanha.

Em sua nova Pátria, Levi fez um pouco de tudo. Deu cursos para estrangeiros; em 1940, fundou e dirigiu o Instituto de Matemática e sua revista , Mathematicae Notae; estimulou os poucos jovens que se interessavam pela Matemática pura; participou de reuniões de físicos; continuou cultivando as humanidades e inclusive encontrou tempo para responder algumas questões matemáticas formuladas por alunos e colaboradores.

Aprenderão com este livro a ver Euclides e inclusive seu mestre Platão, através dos olhos modernos.

Mario Bunge
Foundations and Philosophy of Science Unit
MCGill University, Montreal

Referências bibliográficas:

– Hilbert, D. “Axiomatisches Denken”, in Gesammelte Abhandlungen, vol. 3. Berlim: Julius Springer, 1918.

– Moore, G. E. Zermelo’s Axioms of Choice. Nova York: Springer-Verlag, 1982.

– Schappacher, N. e Schoof, R. “Beppo Levi and the arithmetic of elliptic curves”, in The Mathematical Intelligencer 18: 57-69, 1996.

adaptado por Gilberto dos Santos Alves
com base em livros e artigos da Biblioteca de São Paulo – agosto de 2013.

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boletim nuto santana – machado de assis 2011/04/11

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A finalidade deste artigo é apresentar quais são os livros que estão na biblioteca pública nuto santana, que fica aqui em são paulo – brasil – e possui muitos dos livros desse importante autor brasileiro.

Se você deseja fazer seu trabalho escolar ou pesquisa e usar alguns dos livros saiba que é só fazer sua carteirinha gratuitamente na biblioteca e retirar o livro para sua pesquisa ou trabaho sem nenhum custo. de graça. gratuito.

veja a lista das obras que estão do sistema da biblioteca e só aqui você tem a lista que pode ser encontrada facilmente pelos buscadores google, yahoo, bing, ask etc.

 

baixe o arquivo contendo o pdf para melhorar sua pesquisa:

 

MachadodeAssisNutoSanabril2011

 

você também pode acessar esta versão para seu dispositivo móvel independente de versão de sistema operacional.

Chamando sphinx-build 2011/02/01

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Chamando sphinx-build

O script sphinx-build constrói um conjunto Sphinx de documentação. É chamado assim:

$ sphinx-build [opções] diretório-fonte diretório-documentos [arquivos]

onde diretório-fonte é diretório fonte, e and diretório-documentos é o diretório ou pasta onde será construída a documentação. Na maioria das vezes você não precisa especificar arquivos.

O script sphinx-build tem várias opções:

-b nome_do_construtor
É a opção mais importante: pois seleciona o tipo de construção. Os tipos mais comuns são:

html
Páginas HTML. É o construtor padrão.
dirhtml
Páginas HTML, mas um diretório para cada documento. Gera simples URLs (sem .html usado em muitos webserver).
singlehtml
Um único arquivo HTML, com todo o conteúdo.
htmlhelp, qthelp, devhelp, epub
Arquivos HTML, com informações específicas e adicionais para construir coleção de documentação para estes formatos.
latex
Constrói fontes LaTeX, que se compilados podem gerar documento PDF. utiliza para isso o programa pdflatex.
man
Contrói páginas no formato groff (man em sistemas UNIX).
text
Constrói arquivos texto.
doctest
Executa todos os doctests na documentação, se a extensão doctest foi habilitada.
linkcheck
Verifica a integridade de todos links externos.

Veja construtores para uma lista de todos construtores enviados com o Sphinx. Extensões podem adicionar seus próprios construtores.

-a
Se informada, sempre irá gravar todos os tipos de arquivos. O padrão é só gerar saída para arquivos novos ou fontes modificados. (Isto pode não se aplicar a todos os construtores).

-E
Don’t use a saved environment (the structure caching all cross-references), but rebuild it completely. The default is to only read and parse source files that are new or have changed since the last run.

-t alvo
Define o alvo alvo. Isto é relevante para diretivas only que só incluem seu conteúdo se o alvo foi habilitado.

Novo na versão 0.6.

-d caminho
Since Sphinx has to read and parse all source files before it can write an output file, the parsed source files are cached as “doctree pickles”. Normally, these files are put in a directory called .doctrees under the build directory; with this option you can select a different cache directory (the doctrees can be shared between all builders).

-c path
Don’t look for the conf.py in the source directory, but use the given configuration directory instead. Note that various other files and paths given by configuration values are expected to be relative to the configuration directory, so they will have to be present at this location too.

Novo na versão 0.3.

-C
Don’t look for a configuration file; only take options via the -D option.

Novo na versão 0.5.

-D setting=value
Override a configuration value set in the conf.py file. The value must be a string or dictionary value. For the latter, supply the setting name and key like this: -D latex_elements.docclass=scrartcl. For boolean values, use 0 or 1 as the value.

Alterado na versão 0.6: The value can now be a dictionary value.

-A name=value
Make the name assigned to value in the HTML templates.

Novo na versão 0.5.

-n
Run in nit-picky mode. Currently, this generates warnings for all missing references.

-N
Do not emit colored output. (On Windows, colored output is disabled in any case.)

-q
Do not output anything on standard output, only write warnings and errors to standard error.

-Q
Do not output anything on standard output, also suppress warnings. Only errors are written to standard error.

-w arquivo
Grave avisos (warnings e errors) para cada arquivo, em adição ao padrão de erros.

-W
Trate avisos (warnings) como erros. Isto significa que o construtor irá parar ao primeiro erro e o sphinx-build termina com status de saída 1.

-P
(Useful for debugging only.) Run the Python debugger, pdb, if an unhandled exception occurs while building.

You can also give one or more filenames on the command line after the source and build directories. Sphinx will then try to build only these output files (and their dependencies).

Opções do Makefile

Os arquivos Makefile e make.bat são criados pelo programa sphinx-quickstart normalmente executado sphinx-build só com as opções -b e -d. Contudo, são suportadas as seguintes variáveis com suas descrições:

PAPER
O valor para latex_paper_size.

SPHINXBUILD
O comando para usar ao invés de sphinx-build.

BUILDDIR
O diretório onde será construído, ao invés do escolhido pelo sphinx-quickstart.

SPHINXOPTS
Opções adicionais para o programa sphinx-build.

 

© Copyright 2011, Biblioteca Nuto Santana e outros. Criado com Sphinx 1.0.7

Mitologia Sumeriana 2009/09/07

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O País

Sumer, Sumere ou Suméria era a longa faixa de terra da Mesopotâmia (palavra grega que significa “entre rios”, isto é, o Tigre e o Eufrates) que terminava no Golfo Pérsico. Muito menos isolada que o Egito, essa planície era a passagem entre o Mediterrâneo e o Oriente. A Mesopotâmia antiga permaneceu desconhecida, praticamente, até o fim do século XIX; as escavações arqueológicas a redescobriram.
Toda a terra que medeia entre os rios, Mesopotâmia em sentido estrito, é formada pelas aluviões do Tigre e Eufrates, e sua parte meridional, muito baixa, é aberta sobre o mar. Os dois rios não desempenham a mesma função que o Nilo no Egito: suas cheias são brutais, desiguais, e quando transbordam causam verdadeiras catástrofes.
A zona mais próxima ao Golfo Pérsico foi habitada por povos de origem ainda desconhecida, que se estabeleceram no vale do Eufrates, provavelmente no início do V milênio a.C. Esse povo criou uma das mais antigas civilizações históricas. A sua história prolonga-se até todo o III milênio e só desapareceu quando Sumer foi conquistada pelos elamitas e semitas amorreus.
À grande região da Mesopotâmia a Bíblia dava o nome de Aram-Nacharam, “Síria entre rios”; hoje compreende o Iraque, e Bagdá é sua capital. confina ao N. com a Turquia, o O. com a Síria francesa e a Transjordânia, ao S. com a Arábia Saudita e a L. com a Pérsia, atual Irã. Os rios Tigre e Eufrates, que banham toda essa região, correm do noroeste para sueste; reúnem-se pouco acima da autual Basra, e deságuam no Golfo Pérsico. A Assíria, velho país de Assur, estendia-se ao N., ao longo do Tigre; Babilônia, a antiga Sumer, e Acádia, corriam para o S., entre o Eufrates e o Tigre, descendo até o Golfo Pérsico.

A Mitologia Sumeriana

Os mitos de Sumer são cosmológicos e procuram investigar a origem do povo, da raça, da sociedade. É mitologia subjetiva: representa aquele estágio em que a reflexão humana, pela primeira vez, tomou conhecimento dos fenômenos psíquicos, internos, e do mundo exterior em função do Homem como ser racional; é sem dúvida, a mais antiga “reflexão humana” que conhecemos. Os elementos que a mitologia de Sumer utiliza são terrenos e familiais; o mito, sob plano cosmológico, quer, apenas, por em evidência os caracteres que formaram a base da sociedade sumeriana. Procura explicar a diversidade entre o estável e o instável, entre o que é duradouro ao lado do que é fugaz ou efêmero, entre o que é seco (os desertos) e o que é úmido (as terras férteis e os grandes terrenos paludosos,
talude (latin) = pântano[palude = pantâno latin] vestígios, ainda, do dilúvio, paisagem intimamente ligada às concepções do povo), entre a terra firme e os grandes rios selvagens que correm eternamente; depois vem o mar, último talvez, em ordem cronoriano, o mar figura misteriosa e temível; ele representa a eterna luta entre a água (doce ou salgada) e a terra firme. Por essa razão, como não poderia deixar de ser, os mitos de Sumer preocupavam-se com os vegetais, ao passo que ignoram a descoberta e o uso dos metais.
O panteão sumeriano é, portanto o reflexo das famílias organizadas em grupo social. Era imenso; é verdade que a maioria representava pequenos deuses locais que foram, ou assimilados ou esquecidos; os grandes deuses, porém, eram adorados em todas as cidades, ou quase todas; muitos chegaram até a figurar no panteão babilônio. As grandes cidades de Sumer eram independentes, não havia governo central que as unificasse, mas cada uma tinha o seu rei e os seus deuses próprios; estes em outra cidade, eram os mesmos, mas às vezes com nome diverso ou com atributos diferentes.
Segundo a concepção comum a todos os mesopotâmios, os deuses haviam criado os homens para o seu serviço; além de construir templos e oferecer sacrifícios, o homem deveria respeitar leis, das quais as divivindades eram as protetoras e as guardiãs; os deuses, por seu turno, nada deviam ao homem; com a criação haviam esgotado o elemento providencial; não eram obrigados a recompensar o bem; tudo que acontecesse de catastrófico, de mau, ou simplesmente de desagradável, era sinal de que os deuses não estavam satisfeitos com o homem. Usavam os deuses dos demônios para atormentar os homens; contavam-se por legiões, “fantasmas”, “homens da noite”, “os arrebatadores”, “os devoradores de crianças”, etc. Não se sabe precisamente qual o papel representado pelos “gênios bons”. Os mesopotâmios, em geral viviam em perpétuo temor; não conheceram aquela doçura e otimismo que a civilização egípcia cultivou com tanto empenho; e depois da morte, nenhuma esperança lhes sorria. Sua idéia sobre a morte confirma o aspecto severo e terrível da concepção religiosa que aceitavam. Morto o homem, restava-lhe, apenas, uma espécie de espectro, um espírito muito vago, que teria de partir para regiões misteriosas, onde viveria uma vida diminuída, numa eterna penumbra. “Quando os deuses criaram a Humanidade, aos homens atribuíram a morte, mas a vida guardaram para eles mesmos.” Que resta, então, ao homem senão desejar a vida mais longa possível? Uma idade avançada era particular favor dos deuses.

O Panteão Sumeriano

O panteão sumeriano é encabeçado por An, o deus-céu, Enlil, o Senhor-Vento, e uma deusa, Nin-ur-sag, “A Senhora da Montanha”, conhecida, também, sob outros nomes. Enlil passou para o culto da Babilônia; seu nome semita é Bel, que significa “senhor”. Seu domínio era a terra; em Sumer, o principal local de culto de Enlil era Nipur, grande e antiga cidade; já na época arcaica, os reis de Lagash (outra importante cidade de Sumer) o chamavam de “rei dos deuses”; tinha os epítetos de “Sábio” e “Ajuizado”. Enqui, talves o Senhor da Terra, aparece às vezes como filho de Enlil; tinha o domínio das águas, exceto do mar (as águas doces eram chamadas, no seu conjunto, apsu). Nin-tu, Nin-mah ou Aruru eram outros nomes para Nin-ur-sag. Namu era a deusa do mar (pelo menos seu nome se escrevia com o ideograma utilizado para designar “o mar”); Nintura, Utu e Eresquigal completavam o quadro dos “Grandes deuses”, chamados Anunáqui. Os mitos relatam o nome de Ninsiquila, filha de Enqui.

O Mito da “Árvore Cósmica”

O mito da “árvore”, que unia a terra ao céu é, sem dúvida, um dos mais antigos; parece, porém, que desapareceu muito cedo da mitologia sumeriana. A árvore gish-gana do apsu (“O Abismo Primordial”) erguia-se acima de todos os países; é o símbolo do mastro ou viga que une as duas regiões visíveis: Céu-Terra. Se o templo era o símbolo da árvore cósmica, à porta desse erguia-se outro símbolo, uma estaca ou um mastro “que tocava o céu”. O rei de Isin, Ishme-Dágan, chamará o templo de Lagash “O Grande Mastro do País de Sumer”. A expressão e o símbolo desaparecerão com o correr dos séculos, mas perdurará a concepção mitológica de um local sagrado, alhures, em Sumer, que seria o ponto de união entre o Céu (região dos deuses) e a Terra (região dos homens). Em Nipur a cidade santa de Sumer, onde reside Enlil, a grande torre de degraus se chamava Dur-an-qui, “Laço que une o Céu à Terra”, isto é, o lugar que faz comunicar a Terra com o Céu. Na Bíblia nós temos um evidente reflexo dessa concepção; é o trecho onde Jacó sonha com uma escada que, apoiando-se na terra, tocava com o cimo o céu e os anjos de Deus subiam e desciam pela escada (Gênesis, 28:10-22).

Nascimento do Mar, Terra e Céu

A deusa Namu é chamada “A mãe que deu nascimento ao Céu e à Terra”; aliás, ela é designada frequentes vezes como a “Mãe de todos os deuses”e mais especificamente: “A mãe de Enqui”, o Deus responsável pelo mundo no qual vivem os homens.
A criação do cosmos se fez por emanações sucessivas; do Mar primordial nasceram a Terra e os Céus. Os dois elementos, Terra e Céu, “os gêmeos”, no início ainda estavam unidos e se interpenetravam. Enlil os separou, talvez com um sopro, já que seu nome significa “Senhor Vento”.
Há um poema sumeriano que relata como a Enxada (ou Enxadão) foi criada; nesse texto se alude à sucessiva criação do mundo: “O senhor Enlil decidiu produzir o que era útil, / O senhor, cujas decisões são imutáveis,/ Enlil, que fez germinar da terra a semente do país,/ Imaginou separar o Céu da Terra,/ Imaginou separar a Terra do Céu…”.
Outro poema vê nessa separação inicial dos elementos a obra de duas divindades, An e Enlil: “Quando o Céu foi separado da Terra,/ Quando a Terra foi separada do Céu,/ Quando o nome do Homem foi determinado,/ Quando An arrancou o Céu,/ Quando Enlil arrancou a Terra…”.
Há outra tradição que atribui a separação dos elementos primordiais a uma divindade ou Demiurgo.

O Paraíso

Um longo texto sumeriano, conhecido sob o nome de Mito do Paraíso ou Mito de Dilmum, refere o início dos tempos, quando o deus Enqui e sua esposa, “A Virgem Pura”, viviam sozinhos num mundo virgem e cheio de delícias, que se situava em Dilmum, região mítica. Nada existia além do par divino; em Dilmum nascerá não só a água doce e o Sol, mas também a vida. Esse mito parece ter afinidade com o Paraíso Bíblico onde o primeiro casal, Adão e Eva, também vivia no meio de delícias, antes da desobediência.

O Casamento Divino

Enqui, no Paraíso, depois que a água doce tornou férteis as terras, fecundou “A Virgem”, que assumiu então, o nome de “Senhora do País”. Essa deusa era Nintu; logo que ficou grávida e o parto se aproximou, tomou o nome de Nin-hur-sag. O primeiro filho do casal divino era uma deusa, Ninmu; Enlil une-se à Ninmu e gera outra filha, a deusa Nin-curra, da qual terá em seguida outra filha, Utu; e as uniões entre o deus-pai e as filhas prosseguiriam se Nin-hur-sag não aconselhasse a Utu recusar as solicitações do pai, a não ser que dele recebesse, antes, os presentes nupciais, pepinos, maçãs e uvas. Enqui consegue os pepinos, as maçãs e uvas e Utu deve entregar-se aos ardores amorosos do deus; mas o ato não se consuma. Nin-hur-sag utiliza o sêmen de Enqui para criar oito plantas diferentes que o deus vê crescer nos pântanos, sem saber o que significam e para que servem. Contudo, come-as. Nin-hur-sag, então amaldiçoa Enqui e desaparece. A desaparição de Nin-hur-sag consterna os grandes deuses, os Anunáqui, que não sabem como proceder. Apresenta-se, nessa conjuntura, a Raposa, que se oferece para ir buscar Nin-hur-sag, se a recompensa for compensadora. Enlil promete dar-lhe como paga árvores frutíferas e grande glória: todos se referirão à Raposa com grandes elogios. Há muitas lacunas nesse texto mítico; não sabemos portanto, qual o meio que a Raposa usou para reconduzir a deusa. Sabemos porém que Enqui, moribundo, tinha ao seu lado a solícita Nin-hur-sag. O deus indica oito partes do seu corpo; a deusa confessa, que para curá-lo, deu à luz algumas divindades. Enqui determina a sorte dessas divindades; a última delas, En-shag, será o protetor da cidade mítica de Dilmum.

O Dilúvio

A tradição do dilúvio, comum a muitos povos, também o é à civilização sumeriana. Essa narrativa, em forma de epopéia, chegou até nós muito mutilada; mas o mito, na sua essência, é o seguinte: Por razões desconhecidas, pois falta essa parte do poema, a Assembléia dos deuses delibera destruir a Humanidade escolhido para servir de pai às futuras gerações de homens; um deus, então, o adverte da decisão da Assembléia divina. Zi-u-sudra constrói a arca na qual conservará “o sêmem da Humanidade”; fecha-se na arca e começa a chover; a chuva dura sete dias e sete noites; morreram todos os homens, menos o rei Zi-u-sudra, que, após o dilúvio, começa a participar da vida divina; dão-lhe como residência a cidade de Dilmum.

A criação do Homem

Os deuses criaram os homens, já afirmamos, para que eles fizessem o trabalho e desempenhassem as funções que, de outra maneira, teriam de ser executadas pelas próprias divindades. A criação do homem, destarte, é algo de necessário. Encontramos, aqui outra notável semelhança com o relato bíblico, onde o trabalho é uma maldição: “Comerás teu pão com o suor do teu rosto”. Para os sumerianos, os deuses não trabalhavam: os homens trabalhavam por eles; esse dolce far niente fazia com que gozassem plenamente a vida divina, sem trabalhos, o que os distinguia dos humanos.
Diz o mito que os grandes deuses Anunáqui sentiam fome e não podiam comer, sentiam sede e não podiam beber, pois o homem ainda não fora criado. O deus An criara os Anunáqui “sobre a montanha do Céu e da Terra”, mas nenhum desses era capaz de prover, já não se diz a subsistência de todos, mas a sua mesma. Ashnam (a deusa do Grão) ainda não fora criada, Utu (deusa da Tecelagem) tambpouco fora formada, assim como Lahar, o deus do gado. Eles não tinham ainda nome. Isto é o que se chama “Doutrina do nome”, comum também na Babilônia. Resume-se no seguinte princípio fundamental: a coisa só existe quando tiver nome; essa “Doutrina” parece ser também da Bíblia: Quando Deus criou os animais fez que viessem diante de Adão para que este lhes impusesse um nome (Gên. 2:19). Criaram, então os deuses, Ashnam e Lahar: o grão e o gado crescerão juntos, mas os deuses permanecem insatisfeitos, pois não há quem cuide do gado e recolha o grão. Então o homem recebe o sopro vital. Concluiu-se o Cosmos. A obra da Criação está completa. Deduz-se desse mito, que a única função do Homem é trabalhar para os deuses.

São Paulo, 28 de agosto de 2009. Biblioteca Municipal Nuto Santana, Dicionário das Mitologias Européias e Orientais, Tassilo Orpheu Spaldin, Cultrix / Mec, São Paulo, 1a edição, 1973, p. 115

Acesso à internet pela rede wifi (sem fio) do CCSP – tutorial 2009/08/12

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tela autenticação primeiro login no ccsp

tela autenticação primeiro login no ccsp

Procedimentos /  Manual de instruções para acessar a rede wifi (wireless) do Centro Cultural de São Paulo (CCSP), localizado aqui no bairro do Paraiso aqui em São Paulo – SP – Brasil.

Horários para utilização:

O serviço está disponível de segunda a sexta: das 10h às 20h; aos sábados: das 10h às 21h; domingos e feriados das 10h às 20h.

Áreas disponiveis para seu uso:

Área externa ao lado do foyer (1 antena)
Jardim central (área entre a lanchonete e o prédio da biblioteca (1 antena)
Bibliotecas (4 antenas)
Piso Flávio de Carvalho (2 antenas)
Central de informações (para atendimento em eventos – (1 antena)

Como utilizar a rede WIFI do CCSP?

Conforme a Lei Municipal nº 14.098, de 08 de dezembro de 2005, para a utilização da rede sem fio o usuário deverá observar algumas regras como, por exemplo, responsabilizar-se pela sua identidade eletrônica e senha. O usuário não poderá mostrar texto ou imagens considerados abusivos, nem acessar sites pornográficos, games on-line, bate-papos, sites de relacionamento, ou quaisquer outros portais cujo conteúdo não seja informativo ou educacional.

Para utilização da rede sem fio é necessário fazer um cadastro acessando o endereço:

http://www.radioccsp.net/wireless/cadastro3.php

Preencha todos os dados do e clique em enviar. Aguarde o retorno de um e-mail de confirmação do seu cadastro, que deverá ser enviado no prazo de algumas horas. Após receber o email, compareça pessoalmente à Central de Informações do CCSP, de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, para retirar sua senha e assinar um Termo de Responsabilidade que já foi impresso e está disponível com o funcionário do CCSP. Atenção: para configurar o seu notebook, você utilizará tanto a senha enviada por email quanto a que lhe for entregue na Central de Informações.

Como configurar seu computador para acessar a internet através da rede wifi?

Você recebera um conjunto de 2 usuários e senhas com os quais você deverá executar os seguintes procedimentos:
1 – detectar a rede CCSP que é a do centro cultural são paulo, e selecionar conexão automática;

2 – abrir seu navegador e digitar qualquer endereço de internet desejado por exemplo:

http:www.gmail.com

3 – o seu browser abrirá a primeira tela de autenticação muito parecida com a abaixo demonstrada:

4 – aceite o certificado

5 – quando surgir o campo de usuário e senha informe o primeiro conjunto de usuário e senha que o funcionário do CCSP lhe entregou no formulário impresso e no qual você assinou se responsabilizando pelos acessos.

6 – após este passo você irá receber mais uma tela de autenticação onde você deverá informar o usuário obedecendo a seguinte regra de composição: Informe a sigla da unidade da federação (estado) no qual seu documento foi impresso e o número do documento, por exemplo: se o seu rg (registro geral) tem o número 123456789 e foi emitido pelo estado do paraná (sigla PR) seu código de usuário (login) para esta segunda tela de autenticação ficará como: pr123456789 a senha para o acesso é padrão (por enquanto) e é a palavra: wificcsp

muita atenção pois todos os códigos e senhas devem ser digitados como minúsculas e lembre-se A é diferente de a

7 – seu login autenticado tem validade de 4 horas. caso precise navegar por mais tempo, após o mesmo expirar dirija-se ao atendimento geral e solicite ao funcionário a ativação por mais 4 horas. E toda vez que você retornar ao CCSP deve passar no atendimento geral e solicitar a ativação do seu usuário informando apenas seu nome completo. boa navegação


Em busca do povo brasileiro 2009/08/07

Posted by gsavix in civilização, Doc, Memorando, política, povo.
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Ridenti, Marcelo

Em busca do povo brasileiro, Rio de Janeiro, Editora Record, 2000

Onde está, ou esteve, ou estará o povo brasileiro? será possível encontrá-lo em algum lugar? no coração do brasil ele estará, nas matas cerradas, entre os índios? ou nos braços rudes dos lavradores, esquecidos de todas as lembranças, crestados de tanto sol e labuta? no canto dos pescadores, puxando o arrastão, ou entre os trabalhadores manuais, imaginados como coveiros da ordem? estará o povo no sertão das vidas secas que um dia ainda vai virar mar? ou nas sampas delirantes e trepidantes, com seus viadutos e zumbidos atordoantes?

isbn 85-01-05851-3 cdd 701.03 cdu 7:32

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